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| Foto Uol |
O ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) citou o nazismo ao falar sobre o tratamento
jornalístico dado pela TV Globo às mensagens da Lava Jato obtidas pelo
site The Intercept Brasil. Para ele, o presidente Jair Bolsonaro (sem
partido) faz algumas críticas à emissora que são corretas.
As declarações foram dadas
em entrevista ao site UOL.
Questionado sobre os ataques de Bolsonaro a
jornalistas, Lula afirmou que, durante seu governo, de 2003 a 2010, houve
"um momento de oito anos de pensamento único contra o Lula".
Em seguida, relacionou ao nazismo à cobertura jornalística da TV
Globo sobre as mensagens obtidas pelo Intercept e divulgadas pelo
site em parceria com outros veículos, como a Folha. Os diálogos colocaram
em dúvida a imparcialidade do então juiz Sergio Moro ao expor
sua atuação nos bastidores, em parceria com policiais e
procuradores na linha de frente das investigações.
"O que a Globo está fazendo com o Intercept, era capaz que
o nazismo não fizesse. Ela só teve coragem de citar o Intercept duas vezes:
quando o Intercept publicou o nome do Faustão, que acho que tinha dado aula pro
Moro, e quando foi citar o nome do Roberto D'Ávila, que tinha trabalhado para
arrecadar dinheiro para o meu filme. A Globo não fez sequer matéria contra a
fajutice da denúncia do Ministério Público [contra o jornalista Glenn
Greenwald, diretor do site]. Então, isso é censura", disse Lula.
Os diálogos dos procuradores da Lava Jato, porém, foram alvo de
reportagens do programa Fantástico, da TV Globo, quando da revelação das
primeiras mensagens. A denúncia do Ministério Público
contra Glenn também foi noticiada pela emissora.
Em nota, a emissora afirma que Lula "deveria se informar
melhor antes de fazer afirmações falsas".
"A Globo cobriu amplamente as denúncias do Intercept. A
Al-Jazeera pediu em julho do ano passado um levantamento sobre a minutagem da
cobertura. No levantamento, a Globo informou que, apenas de 9 de junho a 24 de
julho, a emissora publicou uma hora e quarenta e três minutos de reportagens
sobre o assunto no JN e no Fantástico --se considerássemos os outros
telejornais esse tempo seria muitas vezes maior. E nos meses seguintes
continuou publicando as novidades do caso. As reportagens estão disponíveis no
Globoplay e qualquer um pode atualizar o levantamento", afirmou.
Sobre o caso da denúncia contra Glenn, a Globo diz que
"publicou matéria de sete minutos, com ampla divulgação às críticas a ação
do procurador, inclusive um vídeo do próprio Glenn".
A citação do petista ao nazismo ocorre cerca de uma semana após
a demissão do secretário de Cultura Roberto Alvim, que em um vídeo copiou um
trecho de discurso do ministro da Propaganda da Alemanha nazista, Joseph
Goebbels.
Indagado se então o comportamento de Bolsonaro em
relação à imprensa seria justificável, o petista respondeu que "tem
crítica que ele faz que é correta".
"Acho que tem crítica que ele [Bolsonaro] faz que é
correta. Dê a ele o mesmo direito que dá aos outros, direito de falar, abra
para ele falar. Na greve dos jornalistas de 1979, os donos de jornais
descobriram que não precisavam tanto de jornalistas, que poderiam fazer
jornalismo sem precisar do jornalista. Agora, o Bolsonaro está provando que é
possível fazer notícia sem precisar dos jornais, da televisão. Ele faz por ele
mesmo. Aliás, o Trump já fez escola", continuou.
Lula, no entanto, criticou o fato de o presidente
privilegiar as redes sociais em detrimento do atendimento à imprensa.
"Eu ainda respeito, marco toda semana uma entrevista. Não
acho que é correto um presidente da República se comunicar pelo seu Twitter, um
presidente da República tem a obrigação de prestar contas à democracia,
atendendo a imprensa. Não aquele cafezinho formal, em que tem um general como
porta-voz, que é tudo quase militarizado. Mais do que no tempo dos militares.
Marca uma entrevista livre com a imprensa e deixa a imprensa perguntar!"
Sobre as eleições de 2020, Lula falou que o PT "não
tem os grandes nomes que já teve na ativa" e que o partido está
disposto a fazer alianças políticas. Afirmou ainda que Eduardo Suplicy,
que está reunindo assinaturas de apoio à
sua pré-candidatura para a Prefeitura de São Paulo,
pode surpreender.
Lula deu razão à Fernando Haddad, que disputou as
últimas eleições presidenciais e, segundo o ex-presidente, não
quer concorrer à Prefeitura de São Paulo novamente. "O Haddad é um quadro
muito importante, tem uma tarefa nacional e internacional importante para o
PT. Acho que está correto em não querer ser candidato."
O ex-presidente opinou ainda sobre o primeiro ano de
Jair Bolsonaro e afirmou que, mesmo quem não votou
em Bolsonaro deve entender que "ele é presidente". Para
Lula, o atual presidente deveria "parar de falar bobagem" e
"ficar dando recado para o seu clube".
"Eu vou ficar sentado na cadeira, dizendo que ele não
presta e torcendo para que dê tudo errado? Não. Nós temos que torcer para que
estas pessoas governem pensando na maioria do povo
brasileiro", afirmou ele.
O petista disse ainda que Bolsonaro pode
recuperar sua popularidade nos próximos anos.
"Por isso que eu acho que a gente não tem que
ficar perguntando se Bolsonaro cresceu, se ele caiu, ele tem que
governar quatro anos, ele foi eleito para cumprir um mandato de quatro
anos. E ele que governe com a maior competência possível porque, se
for bem, tem o direito a ser candidato à
reeleição", completou.
Por:Redação/JB


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