A descoberta de uma conta secreta em seu nome
teria sido decisiva para confirmar informações sobre como empresas teriam pago
propinas para o esquema criado pelo PMDB.
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Filho de Sérgio Machado também virou delator da Lava Jato
No final
de 2019, Expedito Machado foi multado em 540 mil francos suíços. Os recursos
obtidos com a venda de seus imóveis no Reino Unido, no valor de US$ 3,4
milhões, também foram confiscados. Uma outra parcela foi restituída ao Brasil,
no valor de US$ 20 milhões, de acordo com a publicação de assuntos judiciários
na Suíça, Gotham City.
Com
apenas 23 anos, em 2007, Expedito foi o responsável por abrir as contas de seu
pai, na Suíça. De acordo com o Ministério Público, em Berna, esse esquema teria
permitido a lavagem de US$ 40 milhões em bancos como o Julius Baer e HSBC. No
total, foram encontradas pelo menos dez contas que serviam à família.
"O
valor total de propina recebido no HSBC equivalia à época ao montante de R$
72,9 milhões", declarou o filho de Machado em depoimento em 2016, no
Brasil.
"Referida quantia representava pagamentos recebidos das empresas
Queiróz Galvão, Camargo Corrêa, NM Engenharia, Galvão Engenharia, Devaran
Internacional, Irodotos Navigation a títulos de vantagens ilícitas que somaram
R$ 44,7 milhões", explicou.
Foram
revelados também pagamentos de R$ 28 milhões de uma empresa ligada ao dono da
Avianca, German Eframovich.
Uma das
constatações do MP suíço foi a constante transferência de recursos entre essas
contas. "Essas operações em cascada sem justificativa econômica visava
tornar mais difícil o estabelecimento de uma ligação entre os pagamentos
corruptos", explicou o MP.
Nomes
Diante da
ação do MP brasileiro contra Expedito em 2016, seu pai optou por entregar o que
sabia à procuradoria e colaborar, na esperança de reduzir sua pena. Na época,
ele obteve o compromisso do MP Federal de que não haveria uma denúncia contra
seus filhos.
Teria
sido a descoberta da conta na Suíça e a revelação do filho do presidente da
estatal que levaram Sérgio Machado a entregar o partido.
Em sua
delação, Sérgio Machado indicou o nome de mais de 20 políticos. Segundo ele,
nos 11 anos de presidência da Transpetro, foram repassados mais de R$ 100
milhões para membros do PMDB, entre eles Renan Calheiros e Romero Jucá. A
declaração acabou gerando a queda de dois ministro do governo de Michel Temer.
Ele
também contou como acertou pagamentos com as empresas Camargo Corrêa e Queiroz
Galvão, no âmbito do acordo do Estaleiro Atlântico Sul (EAS) na construção de
dez navios para a Petrobras. A obra fazia parte de uma promessa de campanha do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"A
Queiróz Galvão e a Camargo Corrêa pediram que abrisse uma conta no exterior.
Como nunca tinha tido conta no exterior nem offshore procurou seu filho
Expedito", explicou Machado.
Diante de
sua delação, Machado instruiu seu filho a seguir o mesmo caminho. Expedito
confirmou as informações ao MP no Brasil.


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